O peso dos compromissos

16 / Julho / 2011

Não é fácil assumir um compromisso. É um ato de desprendimento, um ato de doação, uma rotina que deve ser programada e cumprida.
Hoje lembrei desse blog meu. A Internet fez o favor de guardar todos os posts que produzi desde 2006. Há dois anos que não publico uma linha sequer por aqui… Quando tornou uma obrigação deixou de fazer sentido. Como se a escrita fosse um ato de diversão, mas não é!
Escrever é um ofício. A proposta desse blog era fazer crítica e dar opinião sobre filmes, pensamentos e alguns livros, atividades que devem ser levadas a sério sob pena de cair na mesmice dos pitavos gerais. A minha alegria era escrever, de modo fundamentado, produzir um texto completo sobre a minha opinião, com o máximo de links e referências possível para possibilitar a crítica. Pela definição da coisa vocês podem ver como o negócio é chato.
Dá pena ver um teabalho enorme desses parado… Engraçado é que há quem consulte os arquivos. Mesmo sem atualização, mesmo morto o blog ainda atrai algum incauto. Massa isso.
Esperp que essas coisas ainda façam sentido!

Um companheiro de peso

16 / Setembro / 2008

Várias foram as revoluções promovidas pela Internet, sem contar as outras ainda virão. A que mais me interessou foi ados blogs. Um blog é um espaço próprio no ambiente mais público e universal jamais criado. O blog mudou o jornalismo, a literatura, a crítica, a forma de se ter acesso à informação, entre tantas outras coisas.

Hoje tive acesso a uma coisa inusitada: um blog do José Saramago. A página está hospedada no portal da Fundação José Saramago, e servirá para o mais que admirado autor publique alguma de suas opiniões. De cara, no primeiro post, ele já publica uma obra prima, um texto sobre o seu amor a Lisboa.

O Caderno de Saramago não é só uma ótima oportunidade para os que gostam da literatura. É também uma chamada para o potencial do blog, essa forma tão nova e surpreendente de publicação.Nem sei o que esperar de algo tão interessante. Na verdade, só de pensar em Saramago como um colega blogueiro, que temque se defrontar com links, categorias, posts, nem consigo pensar em mais nada, só ficar admirado com a idéia.

Longa vida a esse projeto, aos Cadernos e a Saramago.

Em tempo:

Fernando Meirelles (que acaba de lançar a adaptação cinematográfica do Ensaio sobre a Cegueira de Saramago) também manteve um blog durante a filmagem de Blindness para tratar sobre os desafios da filmagem. No Diário de Blindness podemos acompanhar várias fases do processo criativo do diretor brasiliano, desde o seu encontro com Saramago, para comprar os direitos de filmagem do livro, até a pós-produção do filme.

Carta de navegação

13 / Setembro / 2008

O que te faz assistir a um filme? Claro que essa pergunta tem várias respostas, mas todas giram em torno de uma questão: interesse. Você pode ver um filme porque quer se divertir, se emocionar. Pode-se ir ao cinema para namorar, ou esperar a tela quente começar para ter o sono embalado por um dos inéditos filmes da Globo. O certo é que não vemos o filme por acaso, há uma razão, e quando a desvendamos acabamos conhecendo muito mais da experiência.

Para se analisar um filme temos que tomá-lo como obra, como meio de comunicação. É como se fosse um livro, um quadro, uma música. Tem tanto a finalidade de entreter como de informar. Os diretores querem dizer algo, os roteiristar querem dizer algo, os atores querem dizer algo. Não podemos esquecer isso, sob pena de não sermos afetados pelo filme e, literalmente, ele passar por nossa vida.

Chego a um ponto crucial então: qual a função do crítico? Procurar detalhes escondidos no filme? Desvendar o filme para os demais espectadores? O crítico, antes de tudo, é um espectador. Um ansioso espectador, inclusive. Creio que a função da crítica é dar ainda mais atenção ao filme do que o normal, procurando todas as razões possíveis da obra. Assim que achar algo interessante o crítico escreve e debate. A crítica não deve ser algo inacessível, deve ser algo simples, antes de tudo.

Essa é minha carta de intenções, mas ela não está completa. Com o tempo (e com muitos posts) pretendo aprimorar meus conceitos.

Tlön, Uqbar, Blog, Orbis Tertius

11 / Setembro / 2008

Certas coisas nos fascinam e amedrontam. Somos seduzidos e pelo objeto ao mesmo tempo em que afugentados por ele. Salvo engano há uma palavra inglesa para essa emoção: awe. É algo como um medo respeitoso, um temor que seduz.

Desde quando parei de alimentar o Sessão Livre que eu sinto tudo isso do primeiro parágrafo. Insisto em voltar agora, em confrontar esse projeto empoeirado. Ou eu o domo ou ele vence!

O primeiro passo é voltar ao clima. Estou estudando, mais uma vez, o básico sobre programação e edição de blogs. Até parece que é coisa difícil… “estudando programação e edição”… Os editores, como WordPress e Blogspot, são muito intuitivos. O trabalho maior é aprender a gerenciar todos os comendos do editor para que o blog fique bem organizado, conciso, com tags, categorias e links dispostos de maneira lógica.

Reaproveitei todas as postagens do blog, considerando o trabalho que deu para fazê-las. Em compensação apaguei toda a edição, as marcações, títulos, tudinho. Tudo novo de novo.

Esse filho eu nego!

2 / Julho / 2007
ºº

O filme tem um sentido, um princípio, um segredo que é desvendado de forma diferente de acordo com as variantes de cada obra, qual seja, o roteiro, o diretor, os atores… O importante é grifar a necessidade do filme nos dizer algo. Sem esse “algo” não haveria sentido em dar atenção à obra. A passividade do expectador é compensada com a capacidade deste perceber os elementos do filme e captar, por fim, ao final da obra, a mensagem. Do outro lado temos o diretor e o roteirista, seres oniscientes que manipulam a obra ao seu gosto para transmitir de uma forma ou de outra a mensagem final. Isso não é uma guerra, mas sim uma parceria: nós, expectadores, versus eles, fazedores de filme.
Ciente desses princípios sentei-me pacientemente ante a exibição de Ó paí ó, no afã de não só entender a obra, como um filme que é, como também tentar acompanhar o entusiasmo dos meus amigos quanto à película.
O filme começa maravilhosamente com a apoteose que é o tão admirado ator baiano Lázaro Ramos interpretando o carpinteiro Roque. Nos minutos iniciais vemos que além de ser trabalhador Roque é um cantor de primeira qualidade ao entoar uma magnífica canção carnavalesca. Durante a canção entra a segunda personagem do filme, a linda Rosa (Emanuelle Araujo) que numa cena magnífica mostra todo o seu potencial numa cena de nudez muito promissora. Promissora para a carreira de modelo, porque em termos de atuação a garota não teve oportunidade de fazer nada. Na verdade nada é a palavra de ordem deste filme. Na mixórdia deste roteiro vemos vários fragmentos de filme, mas nada muito bem construído, ou melhor, nada foi sequer construído…. Vamos explicar melhor para a crítica não ser taxada de vazia.
Lázaro Ramos é um ator que guarda muita expectativa. O perfil teatral do ator é muito aclamado, assim como o do Matheus Nachtergaele. Quando Ramos atua o filme fica bom, real, mas parece que o elenco e a direção não o acompanha, não o ajuda.
Parece que o filme quer retratar a “realidade” do Pelourinho. Para isso ele se passa durante o carnaval, quando a “baianidade” está à flor da pele e, portanto, mais fácil de ser captada pelas lentes da Monique Gardenberg. Querendo captar essa baianidade temos atores com um sotaque e trejeitos carregados, sincretismo religioso e uma crônica social escrachada. Temos na-da. O sotaque e trejeitos adotados pelo filme são falsos na medida em que, ao serem interpretados, caem como um tijolo pesado demais para ser carregado por certos atores (como o chulo Boca, interpretado por Wagner Moura). O sincretismo religioso é rico e profundo demais para ser exaurido com meia dúzia de piadas de gosto duvidoso, estilo A praça é nossa e Zorra total. Como o filme não tem início nem meio a crônica social ( o turismo sexual, o tráfico de drogas e os grupos de extermínio) não passa de tempo perdido, artifício ineficaz para constituir drama.
Enquanto Lázaro Ramos se esforça para criar ao menos um romance com a pretendente a protagonista (a Rosa) esta não faz nada. O casal é incapaz de construir um diálogo, e o maior entendimento dos dois se dá quando ela dança uma música que ele canta.
Falando em música o filme perde ainda a chance de ser musical, já que as músicas, não obstante ocuparem grande parte da película, não tem uma relação com os fatos. só um samba, lá no meio do filme, tem um pouco de sucesso.
O final chega com um atraso de umas duas horas, depois de uma espera ansiosa. Para complicar mais um pouco minha angústia lembro-me de ter visto o símbolo da ANCINE e do governo do Brasil no filme, ou seja, dinheiro dos meus impostos, sangue do meu sangue.
Brincadeiras a parte o filme fica no meio do caminho. Um dos filmes que chegou no fim da estrada foi Amarelo Manga, com o aqui citado Matheus Nachtergaele.

Ó paí, ó
Brasil, 2007
Direção: Monique Gardenberg
Duração: 98 min

Filme novo, fórmula velha

29 / Junho / 2007
Filme novo, fórmula velha
ººº

Para demonstrar como esse blog é ousado, inovador, proponho uma nova classificação de filmes: filme-com-uma-pobre-criança-e-um-senhor-solitário. Junte esse título aos já clássicos drama; terror; ação; comédia; musical; desenho animado e documentário. Essa nova classificação deve ser adotada para abarcar os diversos filmes que se encaixam nesse padrão, e os tantos outros que virão com o registro da classificação proposta.
Brincadeiras a parte convido o leitor para pensar sobre o assunto na análise do filme O ano em que meus pais saíram de férias, um filme que colheu críticas elogiosas e muitos prêmios no cenário nacional. Peço licença para abreviar o nome da obra para que nem eu canse de escrever nem você de ler…
O ano (..) tem como protagonista Mauro (Michel Joelsas), um garoto que adora futebol e se vê obrigado a se separar dos pais, uma vez que estes estão envolvidos no movimento político contra a ditadura. Para entender melhor: o ano é 1970, os pais de Mauro são comunistas e, para combater a ditadura com tranquilidade, resolvem mandar o menino para a casa do avô (interpretado brevemente por Paulo Autran). Mauro é deixado na porta da casa do avô, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, e os seus pais partem dizendo que estão, eufemísticamente, de férias e que voltam a tempo para ver a Copa com o filho.
A situação do garoto é de desamparo, solidão, que é aumentada quando este descobre por intermédio de um vizinho do seu avô que este morrera a poucos minutos. O vizino é Schlomo (Germano Haiut) e se vê obrigado a tomar conta do garoto.
A base do filme é a criança, a forma como ela se sente ante todas as situações. O amor platônico por uma garota mai velha, a amizade com universitário revolucionário da vizinhança (interpretado por Caio Blat), a vontade de ser goleiro, a ausência dos pais, as alegrias da copa, a espera pelo fusca azul, a solidão de Schlomo, o garoto passa por tudo isso, e nós observamos.
O garoto parece ser tão desamparado quanto o senhor. A ironia é evidente, já que cada um ocupa uma das pontas da vida, enquanto um acaba de começar o outro está mais próximo do fim. Um já se cansou da vida, já acha ter passado por tudo, até redescobrir no outro que a vida continua, que o ciclo não para com a sua partida. A lingua das mariposas e Cinema Paradiso são outros bons filmes em que essa fórmula.
O ano (…) é muito bem produzido. O cuidado com a filmagem, cenografia e fotografia é notável, dando uma agradável aparência à obra. Entre a atuação nada exepcional. Costuma-se destacar a atuação da criança nessas obras, mas não creio ser necessário. O garoto interpreta satisfatoriamente o papel de um garoto, não creio ser necessário láureas pelo simples fato de interpretar, pelo simples fato de ser garoto.

O ano em que meus pais saíram de férias
Brasil, 2006
Direção: Cao Hamburger
Duração: 110 min

Lado B

22 / Junho / 2007
Lado B
°°°

Cenário barato, com carros antigos, casas despedaçadas, cenas em cômodos sempre pequenos e roupas casuais, filmagem com um toque de home made movie, verba limitada. A palavra de ordem é ser independente, o que sempre é associado ao cenário “cult”, alternativo. Há mais do que forma em A Lula e a Baleia, filme que segue todos os pontos citados no início.
A independência do filme diz respeito a uma não-relação dele com as grandes produtoras, o que presume uma maior liberdade conceitual e estética de criação. Experiências são muito comuns em filmes independentes. Coisas que as grandes produtoras temem em fazer para não perder rios de dinheiro dos seus investidores.
O sabor do filme independente é essa pontinha de indignação com o feijão com arroz de Hollywood. O que mais me chama a atenção nessas obras é a transferência dessa experimentalidade para os roteiros, que buscam mares nunca dantes navegados, tortuosos, muitas vezes.
Em a Lula e a Baleia adentramos numa discussão de família. Estamos dentro de algo que, sem dúvida, é insuportável para as partes (pais e filhos). Somos cumplices do jeito arrogante de um pai (Jeff Daniels) que coloca a sua “intelectualidade” acima de qualquerpessoa, uma mãe (Laura Linney) que é apagada ao extremo, tendo que sucumbir ao egoísmo do pai, e dois filhos (Owen Kline e Jesse Eisenberg) em desenvolvimento que sofrem por não saber quem dos dois pilares deles até então, estará certo enfim.
O filme não pergunta se queremos ver que a mãe traia o pai, se o filho mais novo começa a se drogar para amenizar o vazio do depedaçamento familiar, se o filho mais velho é um jovem indeciso, se o pai é um ser vazio e decrépito. Somos testemunha desses papeis. Somos, talvez, seus únicos amigos.
Fora o roteiro a atuação. Sem maiores detalhes a atuação é muito boa, todos os atores estão deprimentes, ou seja, um sucesso em se tratando do tema. Acima dessa excelência encontras-se Owen Kline, um garoto que interpreta o filho mais novo e problemático do casal. Visceral seria o mínimo que podemos dizer.

A Lula e a Baleia (The Squid and the Whale)
EUA, 2005
Direção: Noah Baumbach
Duração: 81 min

22 / Junho / 2007


Não tenho tido muita paciência para filmes ultimamente. Não me dava mais prazer aquela caminhada até a locadora, a tão custosa escolha dos dvds e, por fim, a caminhada de volta, que geralmente já é uma preparação para a expectativa de como será tal filme, se escolhi certo, se esta será uma obra prima, enfim… Depois disso ainda tinha que assistir né… Sempre às madrugadas. Creio ter cansado dessa epopéia.
Afinal, para quê isso? Para quê ver filmes, e, no meu caso, escrever sobre as experiências obtidas? Também me cansei desse processo.
Não obstante o meu cansaço insisti… Não queria deixar passar o título de cinéfilo, de apreciador da sétima arte, por um leve desânimo. O orgulho é uma coisa seríssima, mas foi por ele que fiz tudo de novo, toda a epopéia, com todos os detalhes que ela merece. Quem sou eu, afinal, para questionar o prazer de tão consagrada arte? Shame on me, shame on me…

O filme mais vermelho do mundo

17 / Abril / 2007
°°°°

É bom sentir-se em casa, em segurança. Em casa temos o domínio de algumas situações, e tal domínio nos reconforta, nos torna confiante. Em casa sei aonde ficam os liros, a ordem dos livros, as roupas, a camisa predileta, o tênis mais confortável, a faca mais apropriada, os utensílios certos…
Consumi um Almodóvar por completo. Vi blusas decotadas, mulheres cheias de sexto sentido, prostitutas, seres andróginos, tons complementares, música regional de La Mancha, paisagens urbanas em contraste com paisagens rurais, telefones, mães… Mas afinal, que filme eu vi? Carne trêmula? Átame? Tudo sobre minha mãe? Matador? Fale com ela? Volver?
Almodóvar tem seu código, seu jeito, e não é difícil destacar algo que eu entitulei, para fins práticos, de “elementos almodovarianos”. Todos os elementos parecem estar ligados ao diretor, em termos de biografia, o que faz com que tal característica seja ainda mais saborosa pois, desta forma, somos cúmplices de uma obra íntima, pessoalíssima, que, não obstante sua privacidade, nos foi confiada. Descubrimos assim Almodóvar.
O fato de sabermos o que vai aparecer não implica em sabermos o que vai acontecer, já que o roteiro é outra obra-prima do diretor. Pode-se dizer que o fim é esperado, vez que ele segue os elementos pré-definidos, mas, no mundo estranho de Almodóvar, percebam esse “esperado” na sua maior abrangência possível. Ao menos sabemos que um Almodóvar será sempre um Almodovar1.
Volver, essa foi a última obra (prima) que eu vi do diretor em questão. A história de Raimunda (Penélope Cruz) não poderia ser mais bem contada. A protagonista é a representação fiel do trabalhador de classe média que realmente necessita laborar para sustentar uma filha adolescente e um marido desempregado. As companheiras de sofrimento de Raimunda são Sole (Lola Dueñas), Agustina (Blanca Portillo), Paula (Yohana Cobo), sua filha, as lembranças de sua mãe Irene (Carmen Maura), entre outras personagens secundárias. Com a sutileza que lhe é característica Almodóvar desenvolve uma trama que se fundamenta nessa percepção farta e indescritível da mulher. Creio eu que esse é o famoso “sexto sentido”.
O ponto forte do filme, além dos “elementos almodovarianos”, são os atores. Em termos técnicos poderia dizer que essa questão de seleção de atores também é um “elemento”, mas acho que isso é experiência do diretor, vivência. A tradicionalíssima Carmem Maura (atuou em Matador, Mlheres a beira de um ataque de nervos, A lei do desejo) e a consagrada Penélope Cruz, não surpreende, vez que já são boas demais. Mas o resto do elenco, em especial Yohana Cobo, são a prova, se é que ainda é necessário provar algo, de que Almodóvar sabe o que faz.
Lição de casa para os demais diretores: Filme bom tem alma, história, e nada mais ilustrativo do que tudo que foi traçado neste post, entendeu Scorcese?

Volver
Espanha, 2006
Direção: Pedro Almodóvar
Duração: 121 min


Sessão Obrigatória
:
Senses of Cinema: Pedro Almodóvar by Steven Marsh

Notas:

1. Na verdade nem sempre “um Almodóvar é sempre um Almodóvar”. Vejamos o caso de Má educação, onde o autor tenta ser mais autobiográfico mas, não cria um filme tão bom. Temos alguns elementos almodovarianos aqui também (lembro-me claramente de uma jaqueta vermelha que o Bernal usa em uma cena do filme) mas a mudança de foco da Mulher para a Homossexualidade foi, em minha opinião, muito desmesurada… Eis a razão de Má educação ser tão odioso.

Volver a sentir

15 / Abril / 2007


A tempos que não vejo um filme. Mais tempo há ainda que eu não escrevo. A princípio eu pensei estar “cansado” de ver essas histórias com a preocupação habitual de analisar, interpretar quadro a quadro, cena a cena. Em alguns minutos cheguei a pensar que a minha “fase cinéfila” havia passado, que eu havia perdido a libido pela sétima arte.
Pois bem, ledo (e feliz) engano. No tempo do parágrafo anterior eu só estive em “dormência”. Sempre esteve latente em meu sentir a expectativa de ser assaltado por um quadro, uma imagem, um roteiro original, uma fala bem colocada, um corte bem feito, uma fotografia bem planejada. Me faltava Cinema… Me faltava uma boa dose de Cinema com bastante gelo e um leve toque de hortelã.
Felizmente despertei para minha necessidade e consumi-la de uma só vez, sem pensar muito nas conseqüências, e digo que não podia ser melhor… É como se o meu estado de hibernação estivesse acabado, e todos os débitos sentimentais afloraram, fugindo da sua prisão espiritual.
Estão abertas as portas da percepção.


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