Certas coisas não são percebidas de pronto, demoram um pouco para cair a ficha. A pouco tempo revi o filme Sobre meninos e lobos, eis que no final aparece: Directede by Clint Eastwood. Certo, aí eu lembrei de Menina de ouro e As pontes de Madison, outros filmes que também foram dirigidos por Eastwood. Essa tríade ficou como uma curiosidade cinematográfica, guardada em minha inocente memória até o dia em que eu tive o prazer de assistir a um outro filme,
Os imperdoáveis. Nada é por acaso, sábias palavras.
Bill Munny (
Clint Eastwood) é um fazendeiro viúvo e pai de dois filhos que ainda lamenta a morte da sua amada esposa. Quem o vê correndo atrás de porcos não imagina que no passado, antes de conhecer a sua mulher, ele era um assassino temido e professado pelos contos do velho oeste como diz o seu parceiro:
meaner-than-hell, cold-blooded, damn killer. Mas isso foi outro tempo. Há 10 anos este ex-assassino não bebe nem se desvia da conduta de um homem médio. É ese o Bill Munny que vemos na tela. Até que chega um caçador de recompensas chamado Schofield Kid disposto a liquidar uns cowboys desordeiros pela recompensa de $ 1000. Para este trabalho Kid não pensa duas vezes e vai atrás de um dos mais famosos assassinos do velho oeste: Bill Munny.
O interessante nos filmes de Eastwood é que as coisas fogem do roteiro habitual. O enfoque vai para uma nova região. Em Menina de Ouro vemos uma campeã de boxe se tornar uma enferma desejosa de eutanásia, percebe-se então que nada é linear, podendo sofrer mudanças significativas (e valorosas se bem efetuadas)
O nosso protagonista está numa encruzilhada: ele volta ao seu passado sombrio ou permaneçe na sua pacata (e fracassada) vida comum? Ele fica com a primeira opção. Depois de dez anos não sabe mais atirar tão bem como antes, muito menos montar à cavalo. Sua primeira providência é procurar o seu antigo companheiro (que também leva uma vida de fazendeiro) Ned Logan( interpretado pelo sempre melhor-amigo
Morgan Freeman)
. Agora estes três bandoleiros partem para a pequena cidade de Big Whisky, em busca dos dois cowboys.
Os jurados de morte tiveram a cabeça postas a prêmio por um grupo de prostitutas desta pacata cidade. Uma garota do grupo teve o rosto retalhado por um dos cowboys. Os baderneiros ainda foram presos pelo Sheriff
“Little Bill” (
Gene Hackman), mas não receberam qualquer castigo, fora a obrigação de entregar seis cavalos ao cafetão das garotas. Indignadas as meretrizes juntam a quantia de mil dólares e espalham para os seus fregueses que quem matar os dois cowboys ganham a recompensa.
Isso seria comum em 1880, mas ocorre que na cidade de Big Whisky as coisas andam diferentes na mão do Sheriff “Little Bill”. Qualquer cidadão que porte armas na cidade logo é abordado (e às vezes bordoado) e obrigado a entregar as suas armas na delegacia. O Sheriff já viveu o suficiente para assistir a bandalheira dos pistoleiros, e saber que quem tem que se impor é a autoridade. A seriedade de Hackman (e a forma como ele massacra os caçadores de recompensa) são notáveis.
Bill Munny não está mais acostumado à vida de bandoleiro. Dormir ao relento se tornou um incômodo, e a sua chegada à Big Whisky é deplorável. Enfermo, tremendo de febre, ele e os seus dois companheiros partem
para o bar onde estão as meretrizes para que seja acertado a forma de pagamento e para saber também onde e como encontra os cowboys. Nesse intere ocorre o primeiro encontro entre Bill Munny e o Sheriff “Little Bill”. Para evitar confusão Bill mente o seu nome, mas isso não evita de levar coronhadas e chutes do Sheriff. O nosso bandoleiro não consegue se agüentar em pé.
Os três caçadores de recompensa vão para um celeiro abandonado para Bill Munny
se recuperar, e de lá partem para cumprir a sua missão.
O conflito entre o passado e o presente de Bill Munny é evidente. Do homem que ele era ficaram as cicatrizes, as histórias, tudo banhado pelo Whisky que ele fazia questão de consumir em tempos antigos. A sua nova vida de sóbrio o obriga a pensar antes de agir, e dizer coisas como